Feedback – Como dar e receber

O Feedback é um dos comportamentos mais interessantes, já que aprendemos de algumas formas bem pequenas: podemos aprender olhando para dentro de nós mesmos e analisando o que fizemos (análise interna), aprendemos olhando o que o outro faz, evitando assim possíveis errros (análise externa) e também aprendemos deixando que outras pessoas nos analisem o que fizemos, o famoso Feedback.

O termo vem do inglês, onde feed pertence ao verbo to feed, que significa alimentar, já a palavra back traduzida significa para trás. Então o feedback significa uma retroalimentação, alimentar de volta. Na engenharia o termo “retroalimentação” é bastante usado, funciona como o ar condicionado da sua casa: ele tem uma resposta do ambiente, que está a 27°C, joga ar frio e lê novamente as informações do ambiente para descobrir qual é a nova temperatura e vai ajustando até atingir a temperatura ideal.

“Mas o que o ar condicionado da minha casa tem haver com isso?” O ar condicionado é um exemplo interessante de como deveria ser o feedback: você se retroalimenta de algumas ideias para que entre no comportamento ideal, assim como o ar condicionado chega a temperatura ideal do ambiente. “Mas, qual seria esse comportamento ideal?” Um comportamento que te faça ser mais feliz! Que te faça ter mais sucesso e caminhar de forma próspera, o comportamento que te leve para uma vida abundante!

Agora que você já entendeu melhor como funciona o feedback, vamos para outro ponto: Porque é tão desafiante recebermos ou darmos um feedback? Já notou que não é uma tarefa muito fácil você chegar para uma pessoa e dizer “Olha, eu queria te falar o que eu não gostei muito referente ao seu trabalho, palestra, relatório…” Essa não é uma tarefa muito boa de se fazer, normalmente ficamos nervosos, além disso, acredito que sofremos tanto para dar um feedback porque geralmente não queremos receber.

A arte de DAR feedbacks está diretamente ligada a arte de RECEBER  feedbacks. A partir do momento que você aprende a receber um feedback do outro, você começa a entender a importância e começa a se beneficiar dessa maravilha, então fica muito mais fácil dar um feedback, afinal de contas, essa ferramenta foi tão boa pra você, que você quer que todos se beneficiem.

Existem dois tipos  de feedback: o que a gente recebe no papel, e aquele dado tête-a-tête, ao vivo. No primeiro caso (o do papel), é  o mais fácil de recebermos, primeiro porque não há nenhuma possibilidade de dialogarmos com um papel, e o dialogo no feedback não é interessante, porque quando retrucamos o que nos disseram, estamos tentando “amaciar” a crítica e isso não é bom, já que o feedback perde a sua força.

Por isso, aqui vai uma dica: ao receber um feedback no papel, leia pelo menos duas vezes. Na primeira vez, o objetivo é balançar você, chacoalhar emocionalmente, dar um tapa na cara mesmo, porque você vai ficar meio bravo com o que estiver escrito, vai discordar de um monte de coisas, vai falar que aquilo tudo é um absurdo e vai negar até o fim! Porém, ao ler novamente, você vai ler aquilo com mais racionalização, de uma forma mais consciente, pois não sera pego de surpresa e a parte emotiva já não vai estar tão forte assim, lendo melhor você vai se perguntar: “Será que isso faz sentido?“, “Será que realmente posso melhorar o meu trabalho?“.

Sobre o feedback presencial: qual a melhor forma de dar e receber? Uma vez aprendi um método que se chama: feedback sanduíche, onde primeiro você dá um feedback mais tranquilo, um mais pesado e por fim um mais tranquilo.

Uso o termo tranquilo, pois não gosto da expressão “feedback positivo“, já que parece que o positivo é somente a parte importante, mais gostosa, deixando de lado a parte negativa. N a minha opinião todos os feedback são positivos, mesmo que uma pessoa te fale coisas dolorosas, e que a princípio lhe pareçam sem fundamento, essa pessoa parou alguns minutos da sua vida para falar com você, falar do seu trabalho. Penso eu que todo feedback é um ato de amor, já que no mínimo aquela pessoa parou para analisar o seu trabalho. Vamos ser inteligentes e vamos aprender com todo tipo de feedback.

Voltando ao método sanduíche: Você não acha que colocando a  parte tranquila no final, acaba “amaciando” a crítica? Então, o que fazer? Primeiro você fala o que é bom, dê o tal do “feedback positivo” e em seguida diga o que não te agradou, explicando os motivos e descrevendo tudo o que não gostou e nesse momento, Só VOCÊ fala. A pessoa que está recebendo o feedback não pode retrucar. Aliás, antes de começar você já pode avisar “Olha, eu vou te falar TUDO o que eu queria que você ouvisse e ao final você me diz o que acha.”

Em seguida, a pessoa vai fazer as suas colocações, dizendo o que ela concorda e discorda por quais motivos, e dizendo o que ela pretendia fazer nos momentos pontuados, é importante que você a deixe fazer isso. Após isso, a palavra volta pra você, onde será encerrado o dialógo. Sua palavra final deve destacar se considerou ou não a ponderação feita e o que continua achando falho.

Ou seja, a estrutura seria: primeiro, dê todo o feedback tranquilo; depois dê todo o feedback destacando o que você não gostou; em seguida, a pessoa que está recebendo fala tudo o que quiser falar sobre aquilo, sem retrucar; ao final, você termina fazendo um fechamento, pontuando o que deve ser melhorado e fim de reunião. Cada um vai para sua casa e as coisas vão começar a acontecer na cabeça da pessoa que recebeu o feedback. Ela vai começar a interiorizar as críticas, analisar, perguntar e questionar.

Portanto, seja inteligente: não retruque, não diga nada, simplesmente ouça! Vá para casa, deixe isso amadurecer dentro de você, deixe a ideia assentar e depois você volta dizendo o que gostou, o que não gostou e o que pode melhorar.

Lembre-se: todo feedback é um ato de amor. Seja inteligente, use os feedbacks que vida te dá e aqueles com que as pessoas te presenteiam.