Essa pode ser a sua história

Recentemente uma pessoa me procurou e me fez uma pergunta: estou infeliz no meu emprego, acredito que tenha escolhido a área errada para trabalhar, o que você acha?

Como amigo e coach eu fiz as seguintes perguntas:

  • Qual profissão você deve seguir?
  • Com quem você deve se casar?
  • Você deve ter filhos ou não?

Ela, sem entender nada me perguntou o porquê dessas perguntas. Então lhe respondi com outra pergunta:

  • Em qual dessas três áreas você acha que é impossível ser plenamente feliz se fizermos uma escolha plenamente racional?

Então, na maioria dos casos as escolhas são analíticas e toda análise é comparativa. Quando você fez a escolha da sua profissão ou trabalho fez uma escolha racional, e isso é extremamente externo e objetivo, por isso, menos importante para você ter uma vida feliz. Então ela me perguntou:

  • Mas então, como escolhemos nossa profissão?

Estudos mostram que geralmente quando escolhemos nossas profissões usamos uma estratégia que leva em consideração três fatores:

1°. Olhamos em volta para descobrir quem está ganhando dinheiro. Queremos uma profissão rentável. Temos o primeiro fator: renda.

2°. É a segurança. Queremos algo que nos dê uma boa renda, mas também queremos um negócio seguro.

3° Por fim, além renda e segurança, queremos uma atividade que não exige muito de nós, que seja fácil e simples de fazer.

Claro que exigem exceções. Mas essa é a regra geral. Essa é a estratégia que a maioria das pessoas usam para definir a primeira das três perguntas que lhe fiz: qual profissão seguir?

E porque essa estratégia quase sempre fracassa? Estranhamente, pensamos que podemos escolher uma carreira, estudar alguns anos e pronto, estamos aptos para ser um profissional.

Então, o que fazer?

A primeira coisa que você precisa saber é no que você é realmente bom. Separe na mente uma única coisa. Qual é? Você tem isso claro?

Geralmente não temos isso muito claro em nossa mente, veja então como funciona.

Um psicólogo americano chamado Gay Hendricks mostrou que nossas atividades começam basicamente em quatro grandes zonas que ele classificou como zona de incompetência, competência, excelência e da genialidade. Vamos ver em qual zona você está?

  • A zona da incompetência é composta pelas atividades em que não somos bons, outros conseguem fazê-las muito melhor do que nós. Nela geralmente temos um emprego e trabalhamos pelo salário. Não queremos nos especializar em nada, não há paixão naquilo que fazemos. Segunda-feira é um peso e sexta-feira um alívio.
  • Quando avançamos um pouco chegamos à zona de competência. “Você tem competência para fazer as atividades, mas existem outras que conseguem fazer tão bem quanto você”. Você não é o único. Nela você ainda tem um emprego, o trabalho ainda é motivado pela renumeração, mas outros fatores como a ambição, status e poder também estimulam.

Você possui algumas metas e objetivos. Talvez até mesmo um propósito de vida. Mas, o dia-a-dia ainda é estressante, por isso lhe falta energia vital, que transforma o trabalho na sua missão natural de vida.

  • O terceiro nível é a zona da excelência. Pessoas que estão nesse nível desenvolvem sua habilidade extremamente bem e sentem paixão pelo que fazem. Não há distinção entre lazer e trabalho – os dois se confundem. O dinheiro já é visto como consequência natural do que fazem.
  • Por fim, temos a zona de “Aqui está a atividade para qual estamos perfeitamente adequados”, diz Hendricks. Uma atividade que conseguimos fazer melhor do que a maioria absoluta das pessoas. Não percebemos mais a distinção entre viver, descansar e trabalhar. Ela flui naturalmente.

Como você estaria hoje? Você só desenvolver a genialidade quando foca no seu talento. É ali que está o seu potencial. Por isso, é possível ter um emprego e uma carreira medíocre. Mas não é possível ser medíocre quando se atua sobre o seu talento.

Mas como podemos descobrir esse talento em nós? Estudos apontam três pistas que podem nos levar a ele:

  • A primeira é a curiosidade. Se eu lhe pedisse para fazer uma lista de coisas pelas quais você tem curiosidade, certamente não encontraria dificuldades em apontar pelo menos algumas. A questão é: O que faz você ter curiosidade por algumas coisas e outras não? Você só tem curiosidade genuína sobre áreas do conhecimento onde há uma codificação genética estimulando esse interesse.
  • A segunda pista: você precisa naturalmente ser capaz de executar, estudar essa atividade consistente e interruptamente por longos períodos sem se cansar ou enjoar.
  • Por último, o desejo constante de querer evoluir no desempenho dessa atividade. Essa é a terceira pista. As pessoas atuam na área do seu talento são impulsionadas pela busca constante de querer progredir, tornar-se melhor naquilo que fazem. Não temos problemas de trabalhar por horas a fio. E por último, sentiremos a necessidade natural de avançar e progredir.

E o que a maioria faz? Justamente o oposto. Olhamos em torno, observamos o que as outras pessoas fazem e seguimos o exemplo delas.

Ronaldo Pereira